29 de maio de 2011

Os dominós virtuais e a democracia real

Marco Aurélio Nogueira - O Estado de S.Paulo
De repente, como se brincássemos com dominós, as peças foram caindo uma após a outra e em questão de minutos o mundo ficou diferente. Da Praça Tahrir, no Cairo, a onda chegou a outros países árabes e depois, como num passe de mágica, às praças de Madrid e de várias cidades espanholas, com ressonâncias em Berlim, Paris, Roma, Viena, Bruxelas.
Como mágica não existe em política, algo ocorreu para que a mobilização decolasse. Os motivos imediatos são distintos, se compararmos os países árabes com a Espanha. No primeiro caso, protestava-se contra regimes autoritários e restrições à liberdade. No segundo, contra "tudo o que está aí", o desemprego, os políticos, a crise econômica, o cancelamento do futuro. São motivos distintos. O que os aproxima e cria a sensação de que tudo está conectado é a rapidez dos acontecimentos, a juventude dos participantes, a internet, o desejo de liberdade.
É um grito de angústia coletiva contra a vida de hoje, tanto a que transcorre sob a longa noite do autoritarismo quanto a que se ressente do encolhimento do Estado de bem-estar. Um protesto ativado por redes sociais - algo que adquiriu dimensão desconhecida: o espocar de uma palavra de ordem aqui repercute instantaneamente no resto do mundo.
Não seria correto, nem prudente, considerar os fatos como se estivessem a antecipar um ciclo revolucionário ou a fixar um tipo sustentável de ação política inovadora. Afinal, a rapidez com que sopram os ventos pode desarrumar todas as peças de um dia para outro, e é preciso dar tempo ao tempo para que novos padrões se cristalizem e alterem as formas tradicionais. O otimismo fácil e a louvação da cibermilitância não ajudam a que se entenda o que está a ocorrer.
Os "indignados" do Movimento 15M (de 15 de maio, dia em que tudo começou) querem outro tipo de política. Uma política de cidadãos, não só de políticos, militantes partidários ou grupos corporativos. Desejam atuar de forma mais livre e horizontal, mediante ações que se organizam no calor da hora e em função dos recursos e das disponibilidades dos participantes. Na manifestação atual, não há lideranças claras, partidos ou sindicatos no comando. Não se fazem assembleias à moda antiga, em que as decisões são quase sempre manipuladas. Há muita festa e determinação, bem mais que disciplina militante. Admite-se que cada um é livre para seguir o que pensa, votar como acredita ser melhor, sonhar o sonho que quiser. Não há "ódio de classe", muito menos violência. Só indignação e vontade de mudar.
As organizações políticas e sindicais de esquerda entenderam o recado e se mantiveram à margem. Afinal, o fogo dirige-se contra a "classe política" como um todo, de direita ou esquerda, que estaria sendo insensível aos apelos por democracia mais efetiva, liberdade plena nas redes, combate à corrupção e melhores condições de vida e trabalho.
"Nossos sonhos não cabem em suas urnas", dizia um dos slogans da manifestação em Valência. O movimento por certo levou a que muitos espanhóis deixassem de votar nas eleições do último dia 22, que terminaram com uma categórica vitória do Partido Popular, de centro-direita, cujas orientações são paradoxalmente contrárias ao que pedem os manifestantes. Por menor que tenha sido a influência dos "indignados", a mensagem por eles lançada soa como um alerta para a esquerda partidária e sindical, cortada pela letargia e pela dificuldade de traduzir as expectativas sociais. É um alerta também para a democracia representativa.
O 15M é como o "espírito" de uma nova esquerda, anunciando o que a velha esquerda deixou de valorizar: mais importante que "chegar ao poder" é elaborar novas maneiras de organizar a convivência e compartilhar poderes. Uma esquerda mais "cultural" e participativa, refratária a ordens unilaterais e hierarquias, que deseja uma nova economia, mas dá mais destaque à igualdade, aos direitos, às liberdades, aos indivíduos. Mostra à velha esquerda que a democracia é um valor que precisa ser praticado no Estado e no cotidiano, luta política é mais que controle de votos e recursos de poder. O 15M tenderá a perder força e talvez até desapareça, mas seu exemplo permanecerá.
Movimentos animados por redes não precisam ser prisioneiros do universo virtual. Podem agir no mundo concreto. Debatem, agitam e pressionam, mas vivem sob a constante ameaça de diluição, em decorrência da dificuldade que têm de traçar uma rota planejada ou formar um todo mais articulado. Se cada um pretende mudar as coisas a seu modo, como produzir ação coletiva?
O jornalista espanhol Jesús Gómez Gutiérrez (www.lainsgnia.org) observa que a maior ameaça às redes não vem de fora, mas de dentro delas. A conversão de todos em produtores de informação e opinião contém uma extraordinária possibilidade de democratização, mas não é imune aos riscos de distorção e manipulação: "Como podemos participar da rede, ficamos com uma ilusão de equilíbrio. Todas as vozes merecem ser ouvidas em quaisquer circunstâncias. Por isso mesmo, qualquer insensatez bem distribuída e que disponha de um bom trabalho nos bastidores seria capaz de desequilibrar as propostas de um movimento social".
Seria trágico, por exemplo, se esse ativismo se pusesse contra a democracia representativa ou se a sociedade civil por ele projetada deixasse de ter um Estado como referência. O ciberespaço e as ações antissistêmicas só podem produzir resultados políticos se não se separarem dos embates sociais concretos, das tradições enraizadas, das instituições que organizam o mundo real.
O ativismo virtual mostra-se avesso a partidos, cansado de políticos, descrente da atuação dos governos e determinado a fazer-se ouvir. Terá potência para remodelar a sociedade sem um Estado democrático e um sistema representativo? A "vida líquida" anuncia o fim dos partidos políticos tal como os conhecemos, mas também cria condições para que novas modalidades de ação cívica deem a eles uma segunda chance.

26 de maio de 2011

Entre Parênteses (Cartilha do MEC e a Internet)

E aí miguxo, td bem com vc? Achu q vc vai S2 esse post!!!


Seja bem vindo leitor!


Hoje vou inaugurar uma nova coluna que é a "Entre Parênteses", para falar de assuntos polêmicos que fogem do tema principal desse blog. 


Se você conseguiu ler a frase acima então está familiarizado com a linguagem da internet. 


Nesses tempos que estão tentando aprovar uma esdrúxula cartilha onde expressões como:


"Nóis vai no cinema comer duas pipoca e beber coca" 


Será considerada correta, com o argumento de que a linguagem popular vai incluir socialmente mais pessoas. Isso muito me preocupa, se olharmos que tem uma febre muito maior que é a forma de escrever na internet.


Hoje vejo em redações de e-mail, textos, processos empresariais e tantos outros meios esses verbetes recém criados se pulverizarem.


Será que daqui alguns anos o MEC vai lançar uma outra cartilha, adotando essa forma de escrever argumentando que agora precisa fazer uma "inclusão digital"?


Essa é uma questão para ser discutida muito mais a fundo, mas a pergunta é:


O que eu vou fazer para colaborar com a melhoria da educação no Brasil?





"Nivelar o ensino por baixo é nivelar a vida das pessoas por baixo" (Alexandre Garcia)

22 de maio de 2011

Afinal o que são as Redes Sociais?

Caro Leitor

Afinal o que são as redes sociais? Esse fenômeno que tornou-se parte da vida do ser humano. Segundo levantamento da FGV até 2014 teremos 140 milhões de computadores ativos no Brasil, levando em conta que 85% dos usuários de internet possui algum perfil nas redes sociais, teremos em torno de 112 milhões de pessoas conectadas entre si de alguma forma.

Vamos voltar um pouco no tempo e analisar, antes da internet não havia redes sociais? É claro que sim! O ser humano vive socialmente só que o nome disso era convivência, seja no trabalho, na comunidade, no condomínio ou no futebol de final de semana, as pessoas juntam-se para um objetivo comum.

Alguns fenômenos estão acontecendo mundo a fora, exemplo disso foi a queda de um  ditador no Egito, onde as pessoas utilizaram esse meio para conscientizar-se e compartilhar informações, conhecimento e idéias.

Compartilho o vídeo abaixo da TEDxSudeste que mostra um pouco sobre a mudança desse comportamento.



O ponto que eu quero chegar é o seguinte: Se essas redes sociais, esse movimento de liberdade de expressão conseguiu derrubar um ditador, encontrar pessoas desaparecidas, unir pessoas para uma idéia em comum, você acha mesmo que ela não vai conseguir derrubar sua marca? Que o cliente mal atendido ou que teve suas expectativas frustradas, não vai compartilhar esse descontentamento com outras pessoas de seu meio de convivência? Agora não é somente com o vizinho e amigos, ele tem um poder muito maior. Esse cliente não é só mais um comprador ele faz parte do processo. 

Vejam abaixo um vídeo que mostra claramente isso.


Esse vídeo foi visualizado mais de 750.000 vezes, ou seja, temos quase 1 milhão de pessoas com uma imagem ruim da marca.

Existem mais exemplos de cases de insucesso como esse.O caso da Arezzo que anunciou em seu site e na sua página oficial no Facebook a venda de uma bolsa com pele de raposa. Logo após esse fato ser discutido entre a sociedade protetora dos animais e a polêmica lançada na rede, a empresa teve que retirar toda a sua coleção outono-inverno das lojas. 

Pior de tudo isso, é que estavam com a campanha de marketing preparada para o lançamento com a atriz Glória Pires como garota propaganda.



Vamos falar em um outro post sobre o consumidor 2.0, mas até lá deixo a pergunta. 

Você vai continuar ignorando a voz do seu cliente?

"Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós." (Saint-Éxupery)


21 de maio de 2011

Estréia

Bem vindos amigos!!!


Estou abrindo esse espaço para discutirmos idéias, novidades e inovações quando falamos de marketing e CRM aplicado as redes sociais. É um assunto novo que as empresas começam a descobrir agora, mas pode ser tarde demais.


O que não nos impede de discutir temas relevantes do momento que impactam diretamente em nossa vida profissional ou pessoal.


Para iniciar esse espaço deixo uma dica de entrevista do Gil Giardelli para o site Reclame Aqui.

 
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